PRÓLOGO:
(Ele) esteve a apoiar-me, esteve a meu lado enquanto eu escrevia os meus desabafos e ia enchendo a caixa. Quando finalmente a fechei estendeu os braços, coloquei-lha nas mãos e ele levou-a para longe. Levou-a para um cantinho algures em mim onde eu não a possa encontrar conscientemente. Prometeu que me a vai devolver um dia, mas só quando eu estiver preparada para a abrir com um sorriso, guardando em mim apenas as boas recordações.
(Ele) esteve a apoiar-me, esteve a meu lado enquanto eu escrevia os meus desabafos e ia enchendo a caixa. Quando finalmente a fechei estendeu os braços, coloquei-lha nas mãos e ele levou-a para longe. Levou-a para um cantinho algures em mim onde eu não a possa encontrar conscientemente. Prometeu que me a vai devolver um dia, mas só quando eu estiver preparada para a abrir com um sorriso, guardando em mim apenas as boas recordações.
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Devia estar a estudar, mas francamente hoje é dos tais dias que estou com ainda com menos cabeça, que o habitual, para os estudos. Não tenho nada para fazer e estou só, acompanhada apenas pelo som da música do telemóvel que se propaga até aos meus ouvidos através dos phones. É verdade, telemóvel, phones e música nunca podem faltar.
Estava de pé, suspensa na batalha que se dava entre os meus neurónios devido ao estado caótico em que se encontrava a minha mente. Precisava de me sentar. Puxei a cadeira que estava em frente á secretária e sentei-me nesta, trouxe-a para o meio do quarto, em frente á janela da varanda e arredei as cortinas para desfrutar da vista. A cadeira é branca, o tecido que a reveste é de bombazina, é macia e agradável ao toque. Aqui sentada consigo ter uma visão plena sobre o rio Douro, não está azul como eu o pintava nos meus desenhos de criança, mas não retira qualquer beleza da paisagem em que se insere, como todos os bons turistas e os conterrâneos mais observadores sabem dizer, as paisagens do Douro são qualquer coisa de fantástico. O clima está ameno, o céu está cinzento e não se vêm vestígios do Sol, mas o vento hoje não sopra, pois as árvores aparentam estar petrificadas, talvez tenha tirado uma folga ou algo assim.
Desde que estou aqui já passaram imensas pessoas á minha frente, mas nenhuma delas me chamou suficientemente á atenção para conseguir desviar o pensamento daquilo que estou a sentir. Acho que hoje acordei num dia de transição de fase, talvez hoje ascenda á próxima etapa, metaforicamente dizendo: Chegou a altura de virar a página.
Como é que sei?
Hoje abriu-se uma das minhas caixas do coração para deixar escapar algumas das coisas que nela guardava trancadas a sete chaves. Não era difícil mantê-las nela fechadas, eu não o vi mais desde que… Acabou, ou melhor, a ultima vez que o vira fora bastante antes de ter sido dita essa palavra entre nós, o que de certa forma tornava fácil achar que já não me fazia tanta falta. Mas hoje…
A matemática já não é, de longe, um dos meus fortes, mas a personagem principal da história guardada naquela caixa entrou de repente. Fiquei sem saber como reagir, mantive então a posição imponente e o ar de indiferença. Normalmente fico calada e evito tocá-lo com o olhar, ele questionou-me porque o fazia, não lhe soube responder, porque de facto não encontro uma razão racional ou plausível para este tipo de atitudes.
Quando se aproximou da mesa, emanava de si o cheiro do perfume de sempre, dava a ideia que despejara todo o frasco em cima da roupa. Quando se sentou deixei escapar um rápido “olá”, não me respondeu, riu-se. Sinceramente eu própria não esperava que o fizesse.
Foquei-me na folha quadriculada que deveria estar a ser acarinhada pela ponta do meu lápis de carvão, mas o meu raciocínio estava parado, não conseguia pensar com o cheiro que predominava na sala, estava a enevoar-me com recordações. Ia fazendo uns riscos que se assemelhavam a números, mas nunca nada batia certo, nada fazia sentido. O meu telemóvel tocou. Tenho-o sempre em silêncio, mas hoje, logo hoje, tinha-me esquecido. O meu tom de toque naquele momento era, a que foi em tempos, a nossa música. Fiquei atrapalhada, tentei desligar o mais rápido quanto possível, mas parecia que nunca mais ia apanhar o maldito telemóvel. Quando finalmente consegui parar a música olhei para ele. Aliviou-me ver que continuava concentrado na resolução do exercício, com sorte, talvez nem tivesse dado conta, era o mais provável.
Ele ali pela segunda vez desde que (…), o perfume, a música…Em outra altura poderia interpretar isto como sinais de que deveríamos trazer de volta aquilo que já fomos, mas eu sei, sei que hoje eram sinais de despedida. Sei que em si já fechou a minha caixa, e dela apenas sobram soltas as palavras que trocámos, mas não para me serem ditas.
Tinha chegado a hora. Trouxe comigo todas as recordações que vieram a mim naqueles 60 minutos e deixei lá a sua parte do meu coração. Ao abandonar a sala disse-lhe num sussurro inaudível: Adeus.
Eu caminhava de cabeça baixa pelo passeio quando ergui a cabeça em direcção da estrada. Nesse exacto momento o carro que passava a meu lado transportava-o no seu interior. O carro seguia na direcção oposta da dos meus pés e foi ali que tudo se desmoronou. Sentia as nossas mãos deslizarem uma através da outra até ao momento em que perderam o contacto. Não eram apenas os meus pés e o seu carro que seguiam em direcções opostas, agora cada um de nós seguia o seu caminho na direcção oposta do outro, os ponteiros da sua bússola apontam para Norte e os da minha para Sul, não há volta a dar.
Eu não perdi nada, só ganhei saber. Eu já sei o que é amar.
Olho agora através da janela, já é de noite e chove imenso. Tenho a sua caixa em minha frente, aberta, e tudo o que guardara nela está suspenso na atmosfera do pequeno quarto. Aos poucos vou-a enchendo e vou-me despedindo. A nossa fotografia e os presentes continuavam expostos pelo quarto, era uma forma de parecer que estava tudo normal, mas já não vale a pena. Eram as únicas coisas que restavam fora da caixa, a despedida custou mas teve de ser, fui buscá-los um a um e depois de um abraço pu-los junto com o resto.
Posso comparar-me por dentro á noite lá fora. A minha alma está vazia e negra como o céu nocturno, e choviam lágrimas em mim, mas as minhas reservas lacrimais estavam vazias como a alma, e dos meus olhos apenas se derramou uma lágrima. Esta última lágrima caiu dentro da caixa. Agora esta estava completa.
Já não resta mais nada, vou fechá-la, desta vez não a sete chaves mas a oito. Estas são as minhas últimas palavras e a oitava chave.
- Só quero que sejas feliz. Eu quero-te muito bem. (IMY)
Devia estar a estudar, mas francamente hoje é dos tais dias que estou com ainda com menos cabeça, que o habitual, para os estudos. Não tenho nada para fazer e estou só, acompanhada apenas pelo som da música do telemóvel que se propaga até aos meus ouvidos através dos phones. É verdade, telemóvel, phones e música nunca podem faltar.
Estava de pé, suspensa na batalha que se dava entre os meus neurónios devido ao estado caótico em que se encontrava a minha mente. Precisava de me sentar. Puxei a cadeira que estava em frente á secretária e sentei-me nesta, trouxe-a para o meio do quarto, em frente á janela da varanda e arredei as cortinas para desfrutar da vista. A cadeira é branca, o tecido que a reveste é de bombazina, é macia e agradável ao toque. Aqui sentada consigo ter uma visão plena sobre o rio Douro, não está azul como eu o pintava nos meus desenhos de criança, mas não retira qualquer beleza da paisagem em que se insere, como todos os bons turistas e os conterrâneos mais observadores sabem dizer, as paisagens do Douro são qualquer coisa de fantástico. O clima está ameno, o céu está cinzento e não se vêm vestígios do Sol, mas o vento hoje não sopra, pois as árvores aparentam estar petrificadas, talvez tenha tirado uma folga ou algo assim.
Desde que estou aqui já passaram imensas pessoas á minha frente, mas nenhuma delas me chamou suficientemente á atenção para conseguir desviar o pensamento daquilo que estou a sentir. Acho que hoje acordei num dia de transição de fase, talvez hoje ascenda á próxima etapa, metaforicamente dizendo: Chegou a altura de virar a página.
Como é que sei?
Hoje abriu-se uma das minhas caixas do coração para deixar escapar algumas das coisas que nela guardava trancadas a sete chaves. Não era difícil mantê-las nela fechadas, eu não o vi mais desde que… Acabou, ou melhor, a ultima vez que o vira fora bastante antes de ter sido dita essa palavra entre nós, o que de certa forma tornava fácil achar que já não me fazia tanta falta. Mas hoje…
A matemática já não é, de longe, um dos meus fortes, mas a personagem principal da história guardada naquela caixa entrou de repente. Fiquei sem saber como reagir, mantive então a posição imponente e o ar de indiferença. Normalmente fico calada e evito tocá-lo com o olhar, ele questionou-me porque o fazia, não lhe soube responder, porque de facto não encontro uma razão racional ou plausível para este tipo de atitudes.
Quando se aproximou da mesa, emanava de si o cheiro do perfume de sempre, dava a ideia que despejara todo o frasco em cima da roupa. Quando se sentou deixei escapar um rápido “olá”, não me respondeu, riu-se. Sinceramente eu própria não esperava que o fizesse.
Foquei-me na folha quadriculada que deveria estar a ser acarinhada pela ponta do meu lápis de carvão, mas o meu raciocínio estava parado, não conseguia pensar com o cheiro que predominava na sala, estava a enevoar-me com recordações. Ia fazendo uns riscos que se assemelhavam a números, mas nunca nada batia certo, nada fazia sentido. O meu telemóvel tocou. Tenho-o sempre em silêncio, mas hoje, logo hoje, tinha-me esquecido. O meu tom de toque naquele momento era, a que foi em tempos, a nossa música. Fiquei atrapalhada, tentei desligar o mais rápido quanto possível, mas parecia que nunca mais ia apanhar o maldito telemóvel. Quando finalmente consegui parar a música olhei para ele. Aliviou-me ver que continuava concentrado na resolução do exercício, com sorte, talvez nem tivesse dado conta, era o mais provável.
Ele ali pela segunda vez desde que (…), o perfume, a música…Em outra altura poderia interpretar isto como sinais de que deveríamos trazer de volta aquilo que já fomos, mas eu sei, sei que hoje eram sinais de despedida. Sei que em si já fechou a minha caixa, e dela apenas sobram soltas as palavras que trocámos, mas não para me serem ditas.
Tinha chegado a hora. Trouxe comigo todas as recordações que vieram a mim naqueles 60 minutos e deixei lá a sua parte do meu coração. Ao abandonar a sala disse-lhe num sussurro inaudível: Adeus.
Eu caminhava de cabeça baixa pelo passeio quando ergui a cabeça em direcção da estrada. Nesse exacto momento o carro que passava a meu lado transportava-o no seu interior. O carro seguia na direcção oposta da dos meus pés e foi ali que tudo se desmoronou. Sentia as nossas mãos deslizarem uma através da outra até ao momento em que perderam o contacto. Não eram apenas os meus pés e o seu carro que seguiam em direcções opostas, agora cada um de nós seguia o seu caminho na direcção oposta do outro, os ponteiros da sua bússola apontam para Norte e os da minha para Sul, não há volta a dar.
Eu não perdi nada, só ganhei saber. Eu já sei o que é amar.
Olho agora através da janela, já é de noite e chove imenso. Tenho a sua caixa em minha frente, aberta, e tudo o que guardara nela está suspenso na atmosfera do pequeno quarto. Aos poucos vou-a enchendo e vou-me despedindo. A nossa fotografia e os presentes continuavam expostos pelo quarto, era uma forma de parecer que estava tudo normal, mas já não vale a pena. Eram as únicas coisas que restavam fora da caixa, a despedida custou mas teve de ser, fui buscá-los um a um e depois de um abraço pu-los junto com o resto.
Posso comparar-me por dentro á noite lá fora. A minha alma está vazia e negra como o céu nocturno, e choviam lágrimas em mim, mas as minhas reservas lacrimais estavam vazias como a alma, e dos meus olhos apenas se derramou uma lágrima. Esta última lágrima caiu dentro da caixa. Agora esta estava completa.
Já não resta mais nada, vou fechá-la, desta vez não a sete chaves mas a oito. Estas são as minhas últimas palavras e a oitava chave.
- Só quero que sejas feliz. Eu quero-te muito bem. (IMY)
Peguei no telemóvel, mudei o tom de toque e ... Fechei a Caixa.
Que lindo... sem palavras mesmo!
ResponderEliminarTenho pena que tenha acabado assim... quando acabei de ler o textinho queria estar ao pe de ti para te dar um abracinho minha zombieee e para te dizer que estou aqui sempre... mas isso tu ja sabes :)
Fantástico mesmo *.*
GMDT<<3
Com este texto, Acabaste por abrir uma coisinha que ja tinha fechado no meu coração... este texto esta assim uma coisa MAGNIFICA +.+
ResponderEliminarGosto tanto de ti minha zombiee <<3
ADoro as tuas palavras :$
ResponderEliminaresse teu jeito de escrever meu amor :)
ResponderEliminartextinho mesmo lindo :)
A Inêêis tem um blog +.+ vou seguir :D ,, escreves tão bem :) , é viciante ler os teus textos <3
ResponderEliminarAMO.TE!
Bastante bonito. ; )
ResponderEliminar"...dos meus olhos apenas se derramou uma lágrima. Esta última lágrima caiu dentro da caixa. Agora esta estava completa." Para mim, esta, é a frase que mais me cativa. --'
que textos fantasticos (: da prazer em le-los, nunc deixes de escrever amor, nunca mesmooo (:
ResponderEliminarEscreve um textinho novo minha zombiee :D
ResponderEliminarA maneira como escreves Inês *.*
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