quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Diz-me o nome (d)Ele.


Eu estava ali. Solitária e serena, enquanto uma parte de mim se encontrava irritantemente agitada. Tinha vestido um casaco de pêlo que me protegia da fria parede onde apoiava as costas. Estava sentada já há algum tempo, o meu cérebro tentava que me movesse para acalmar a dormência, mas o meu corpo não obedecia.
Soprou em mim uma breve brisa, trazia em si um levíssimo e requintado odor a alecrim e orvalho, que se misturou com o cheiro do meu shampoo. Fiquei gelada, desejei colocar-me em posição fetal mas mais uma vez o meu corpo não obedeceu. Excepto o meu cabelo, que esvoaçava á passagem do vento, conseguia apenas mover as pálpebras oculares, tudo o resto continuava imóvel.
Naquela posição só podia ver os pés dos indivíduos que por ali passavam, mas nunca ninguém vinha na minha direcção, pelo contrário.
Houve algo que me embateu na perna, reagi. Era a fotografia de um rapaz, aparentava ser antiga, era ainda a preto e branco, ligeiramente dobrada e tinha no canto superior direito algo que parecia ser café, talvez fosse a marca de uma chávena que estivera pousada sobre esta. O seu rosto era comum mas bonito, muito bonito. Os traços da cara eram quadrados, conferindo-lhe um ar adulto, os lábios perfeitamente desenhados e uns olhos elegantes e doces, imaginei-os da cor do mel. A sua expressão era serena o que de certo modo me consolou.
Senti calor e os meus membros a descongelarem, ergui a cabeça para olhar em redor, P A R A L I S E I ao ver que alguém me contemplava. Não estava perto, de maneira que não podia ter uma visão nítida sobre o personagem, mas tive a certeza de que era Ele. Não conseguia desviar o olhar, mas a minha limitada visão periférica permitiu-me ver que estávamos sós, os pés que via há minutos atrás tinham desaparecido, não havia mais ninguém ali.
O meu batimento cardíaco acelerava exponencialmente, como se o coração fosse sair do meu peito, com a palma da mão fiz pressão sobre este para me certificar que o mantinha lá dentro. Talvez fosse medo, mas inconscientemente já me dirigia a Ele, via-o cada vez mais longe de mim... por isso acelerei o movimento das pernas até estar a correr. Parei para recuperar o fôlego, Ele também tinha parado, aproveitei para retomar a corrida na esperança de o alcançar.

Agora estávamos frente a frente.

Articulei os lábios a fim de proferir algumas palavras, mas foram inaudíveis. Respirei fundo e voltei a tentar. Por pouco não reconhecia a minha voz, saiu num tom baixo e tímido.
- Quem és tu? - Perguntei.
Não me respondeu, virou costas e com o olhar pediu-me que o seguisse. Segui-o hesitante.
Perdi a conta aos passos que dei, estávamos a caminhar em linha recta já há alguns minutos, Ele parou e eu imitei.
Estava confusa, não sabia que lugar era aquele, apenas sei que era absolutamente perfeito e predominava o odor a alecrim e orvalho, relembrei a brisa que me trouxe a sua fotografia. Olhei-o com uma expressão interrogativa, mais uma vez não me disse nada, apenas me deu a mão. No momento em que me tocou uma chama percorreu-me o corpo, senti-me corar.
A sua mão estava quente, a sua pele parecia seda, não resisti em apertar-lha com mais força e ele exibiu um sorriso surreal. Fechei os olhos para absorver todas as sensações que vibravam em sentidos opostos e perpendiculares dentro de mim. Tive receio de abrir os olhos, com medo que Ele não estivesse ali ao meu lado, mas não aguentei mais um segundo sem tocar o seu rosto perfeito com o olhar. Ganhei coragem e quando os abri Ele continuava lá. Suspirei de alívio.
Os seus olhos estavam fixos nos meus, tentei desviar-me deles mas a sua outra mão impediu que eu o fizesse. Agora olhando profundamente para os espelhos da sua alma foi como se o conhecesse desde sempre. Procurei-o em todas a gavetas da minha memória, mas não havia nenhum sinal de si no meu passado. Desisti. Voltei então a perguntar-lhe.
- Diz-me, qual é o teu nome?
Ajeitou o cabelo perfeito e aproximou-se de mim, a sua face estava agora chegada á minha, pude sentir "o seu hálito fresco e a sua voz de veludo" quando me sussurrou ao ouvido:
- O meu nome é...
Os phones foram-me arrancados bruscamente.
- Inês que estás aqui a fazer sozinha e sentada á chuva? Estávamos todos preocupados, para que queres o telemóvel se não atendes a ninguém? Sinceramente, isto é de doidos, anda já tocou.- gritava histérica aos meus ouvidos.
Estava anastesiada com tudo o que se passara, despertei e dei por mim ainda sentada naquele canto, gelada. Foi como se nunca tivesse saído dali, a multidão de pés continuava a passar em minha frente. Não queria acreditar que tinha sido um sonho, não podia ser, era impossível… fora tudo tão real, senti-me desamparada, uma tristeza tomou conta de mim, não me esforcei sequer para lhe responder.
- Inês, eiiii, acorda miúda... pareces um zombie. O que é isso que tens na mão? Quem é esse?
- Na minha mão? Esse quem?
Baixei a cara para ver o que segurava na mão. Era a sua fotografia, esbocei um sorriso de orelha a orelha, eu sabia que tinha sido real, e esta era a prova. Ele era demasiado perfeito para ser real e demasiado real para ser um sonho. Virei a fotografia por curiosidade, no seu verso estava algo escrito com uma caligrafia desajeitada, esforcei-me para ler, dizia:

"Para me encontrares pensa no meu nome."

Quando fecho os olhos ainda consigo ver o seu sorriso e sentir o seu toque, mas nunca encontrei a porta que me levaria a ele sempre que sentisse a sua falta, o seu nome.
-Se souberes.. Diz-me o nome (d)Ele.
Fim.

4 comentários:

  1. Que fantastico... sem palavras mesmo...
    "o seu hálito fresco e a sua voz de veludo" Twilight *.*

    A parte do zombiee é me bastante familiar ahahah
    Mas que texto lindo mesmo... tambem queria viver esse sonho...

    Espero que venhas a saber o seu nome... =)

    GMDT <<<3

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  2. Aserio? Hihihi que bom....

    Eu tambem gosto muito de ti minha zombiee e companheira da saga <3

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  3. textinho perfeito mesmo =)

    se foste tu q fizeste ta mesmo bom, Parabens =)

    beijinhos <3

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  4. eu seii, mas existem pessoas q metem os textos por por e vao busca-los a net buscar a creatividade de outras pessoas foi por isso q pergntei :)

    liindo <3

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